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"SOMOS PEDRAS QUE SE CONSOMEM"

Trechos do livro consagrado por crítica em uma versão hipertexto exclusiva


Aos 49 anos, Raimundo Carrero é um dos escritores brasileiros mais importantes de sua época. A afirmação não é gratuita. Nascido em Salgueiro, Sertão de Pernambuco, Carrero, por várias razões, faz jus ao título.

Uma das razões é seu último livro. “Somos Pedras que se Consomem” foi considerado em 1995 o melhor romance do ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte, além de melhor romance, prêmio Machado de Assis, da Biblioteca Nacional. Como afirma o também escritor e crítico Ignácio de Loyola Brandão, no prefácio de “Somos Pedras..., “Carrero atormenta, esgota, suga, leva a escrita ao paroxismo. Um romance como este só pode ser escrito por quem tem muita técnica, conhece o ofício, tem no bule um café espesso, expresso, forte (...) um livro intenso, cheio de cheiros, de frutas e de corpos, de esperma e dos rios que cortam o Recife, do lixo e do suor, dos perfumes e hálitos”.

Raimundo Carrero começou a escrever ainda no internato do Colégio Salesiano do Recife. Jornalista profissional, preside atualmente a Fundação de Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (FUNDARPE). Sua primeira obra publicada, “A História de Bernada Soledade - A Tigre do Sertão”, em 1975, veio integrar o Movimento Armorial, liderado pelo mestre Ariano Suassuna. Com “Somos Pedras...”, Carrero chega ao décimo livro publicado. Suas outras obras são: “As Sementes do Sol - O Semeador”, “A Dupla Face do Baralho” (este traduzido para o inglês), “O Senhor dos Sonhos”, “Sombra Severa”, “Viagem no Ventre da Baleia”, “Maçã Agreste”, “Os Extremos do Arco-Íris” e “Sinfonia para Vagabundos, num total de 10 livros, incluindo o último.

Pacato, homem simples, Carrero se revela um mestre das letras e da arte de “prender” o leitor. Em seu novo romance, dá ao leitor a possibilidade de leituras não-lineares, ancoradas por pequenos textos - num arranjo que em muito lembra o hipertexto usado na Internet. “É preciso estabelecer novos contatos com o leitor. Fazer com que ele tenha interesse em manipular o livro, em ler e principalmente em ver a história por vários ângulos”, afirma Carrero, que diz nunca ter navegado na Internet.
Enquanto Carrero providencia sua conexão à rede, Mundi traz um dos trechos mais densos de seu novo livro para a World Wide Web. Como na obra impressa, a versão on-line pode ser lida de forma não linear. Leia também uma entrevista inédita concedida por Carrero à Mundi.

ENTREVISTA

LEIA “SOMOS PEDRAS QUE SE CONSOMEM” EM HIPERTEXTO

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