XV CONGRESSO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE COMPUTAÇÃO

XXV SEMINÁRIO SOBRE COMPUTAÇÃO NA UNIVERSIDADE





SECOMU '95

31/7 até 4/8

Canela, RS


ANAIS

Volume II









Organizado em parceria pela SBC e o ProTeM-CC

SUMÁRIO

Parte I - Apresentação

3

O XXV Secomu e o ProTeM-CC

3

Documentos

4

Parte II - Painéis

5

Painel FHR - Formação de Recursos Humanos

5

Intervenção dos Membros da Mesa

5

Debate (extratos)

9

Painel IC - Interação com a Sociedade

10

Intervenção dos Membros da Mesa

10

Debate (extratos)

12

Painel IF - Infra-estrutura e Financiamento

14

Intervenção dos Membros da Mesa

14

Painel CI - Cooperação Internacional

17

Intervenção dos Membros da Mesa

17

Debate (extratos)

24

Parte III - Conclusões dos Grupos de Trabalho

27

Painel FHR - Formação de Recursos Humanos

28

Painel IC - Interação com a Sociedade

29

Painel IF - Infra-estrutura e Financiamento

30

Painel CI - Cooperação Internacional

31

Parte IV - Participantes

34

Painel FHR - Formação de Recursos Humanos

34

Painel IC - Interação com a Sociedade

35

Painel IF - Infra-estrutura e Financiamento

35

Painel CI - Cooperação Internacional

36

Parte I

APRESENTAÇÃO

Este documento contém a memória do XXV Seminário sobre Computação na Universidade, o SECOMU, realizado em Canela, RS, no período de 31 de julho até 4 de agosto de 1995, por ocasião do XV Congresso da Sociedade Brasileira de Computação.

O XXV SECOMU e o ProTeM-CC

O XXV SECOMU foi direcionado para a validação do planejamento dos próximos passos do ProTeM-CC, na busca de um plano estratégico para o setor de pesquisa e desenvolvimento em infomática em nosso país.

Segundo o Termo de Referência para o Plano Estratégico de Ação do ProTeM-CC nos próximos cinco anos, preparado pelo Prof. Gentil Lucena, do CNPq,

"em que pese o visível salto qualitativo verificado no arcabouço da pesquisa e desenvolvimento em computação no país nos últimos quatro anos, verificou-se a importância de se estabelecer um plano de ação que não apenas consolidasse as bases existentes mas, principalmente, promovesse sua expansão de forma a colocá-la, definitivamente, à altura dos melhores padrões internacionais".

Com base nas análises e propostas constantes do documento Formação de Recursos Humanos, Pesquisa e Desenvolvimento: Bases para uma Política de Informática (FRHPD), escrito pelo Prof. Silvio Meira, o plano visa à construção do caminho pelo qual se possa, partindo da situação atual, chegar ao cenário desenhado no referido documento, ou próximo dele. Isso certamente passará pela adoção de medidas referentes às questões de formação de pessoal, pesquisa e desenvolvimento em tecnologias emergentes e pesquisa básica e capacitação tecnológica.

Nessa concepção, as discussões durante os painéis, essencialmente temáticos, foram dirigidas para a busca de idéias e conclusões refletidas na realidade brasileira, sem contudo tirar dos participantes a criatividade e o direito de divagar construtivamente. Os grupos de trabalho tiveram, como resultado de seu trabalho, a crítica pré-Plano, onde seriam anotadas as sugestões de mudanças, supressões e extensões, assim como o sentimento dos participantes em relação à validade das propostas discutidas e sua recepção pela comunidade.

A metodologia utilizada para a elaboração do plano teve duas etapas:

Acentue-se aqui o caráter aberto e participativo do planejamento em pauta: não apenas se desejava que a comunidade fizesse parte do corpo de planejadores do ProTeM-CC como também, através desta participação, cada um se responsabilizasse pelo que lhe coubesse na consecução. Isso deveria levar, eventualmente, a processos de planejamento semelhantes em grupos, laboratórios e instituições, possibilitando a todos uma contribuição efetiva no desenvolvimento estratégico da Informática no Brasil.

A apresentação das conclusões estão organizadas pelos painéis correspondentes.

DOCUMENTOS

Como parte integrante do XXV SECOMU, foram ainda distribuídos os seguintes documentos:

Pedro Manoel da Silveira

Editor

Novembro, 1995

Parte II

PAINÉIS

Painel FRH - Formação de Recursos Humanos

Um dos aspectos mais importantes de qualquer política governamental será sempre o de formação de recursos humanos, e é uma das políticas centrais do ProTeM, além de ser tema constante de ações no planejamento de suas atividades.

Dessa forma, o painel de FRH buscou reunir os professores e representantes da indústria

discutindo-se o relacionamento entre a formação e treinamento de pessoal em todos os níveis, com as necessidades inerentes à Política de Informática. Os processos de formação tecnológica, graduação, pós-graduação e extensão sendo vistos como demanda da sociedade em geral, porém destacando-se o setor industrial e os programas estratégicos e prioritários do Governo.

Coordenador do painel: Prof. Daltro José Nunes, UFRGS (daltro@inf.ufrgs.br) 31/7, Segunda-feira

Painelistas: Prof. Rodolfo Joaquim Pinto da Luz, UFSC

Dr. Júlio Cezar Camerini, AUTOMATICA


Painel FRH - Intervenções dos membros da mesa

Daltro José Nunes

O professor abriu o painel ressaltando sua importância decisiva no âmbito do congresso: na sua opinião, este assunto, FRH, deve ser considerado como a base de todo a desenvolvimento da Informática no país, pois sem isso há muito pouco a fazer.

Após a abertura e apresentação dos componentes da mesa, falaram o Prof. Silvio Meira e o Prof. Gentil Lucena a respeito das implicações dos painéis do SECOMU no processo de planejamento do ProTeM. Basicamente, essas informações constam do preâmbulo do presente documento.

Rodolfo Luz

O Prof. Rodolfo ressaltou mais uma vez a importância da Formação de Recursos Humanos em qualquer processo de desenvolvimento. Isso, na opinião do professor, já é percebido por todos. A sociedade moderna privilegia o conhecimento fundamentalmente.

Brasil tem consciência disso, mas precisa partir para a ação para fazer isso acontecer.

A evolução do número de estudantes universitários no Brasil, nas últimas décadas, foi mostrada conforme o quadro abaixo.

Evolução do número de estudantes universitários no Brasil

1965

100.000

1995

1.661.000


Em 1995, esses estudantes estão distribuídos em 127 universidades, 800 estabelecimentos de ensino superior. Conforme se observa, houve salto significativo no período, tendo esse trinta anos se caracterizado por isso, sem que houvesse tempo de uma maturação no processo.

Nos dias de hoje, há 1% da população nos bancos universitários, quando este número é perto de 5% nos países avançados. Na faixa etária de 19 até 24 anos, 10% da população brasileira ainda está estudando, quando este número é próximo de 50% nos países avançados.

Mesmo com todo este crescimento, o problema brasileiro ainda é de quantidade, em grande parte. A distribuição deste universo também é problemática, uma vez que há uma concentração exagerada nas regiões sul/sudeste, com exceção do estado de Pernambuco, na região nordeste. Nos estados, destacam-se as capitais de forma gritante.

A qualidade de ensino é baixa; crescimento, embora insuficiente, foi muito rápido; não houve tempo para formação de professores

Cursos de mestrado/doutorado

1965

10

26

1975

?

?

1995

100

494

Durante este período de crescimento acelerado, a formação de professores teve prioridade sobre as atividades de pesquisa, ou seja, deu-se preferência à formação do corpo docente em detrimento das atividades de pesquisa.

Imprensa trata injustamente do progresso universitário brasileiro, pois há apenas 30 anos esse esforço começou. O Brasil é líder na América Latina mesmo assim.

Universidade brasileira oferece uma oportunidade de carreira ao docente.

Capacidade de expansão do ensino público está limitada; tem se verificado no setor particular, de forma desordenada. Tentativas de planejar este desenvolvimento mostraram-se inadequadas, pois a concentração nas grandes cidades impõe o desbalanceamento. Mais da metade dos alunos na área de humanidades. Tendência de crescimento nessa áreas vai ficar acentuada se nada for feito.

Avaliação do sistema existente: a fase heróica do crescimento já passou. Sistemática de controle reduziu a expansão. Não há capacidade instalada suficiente para crescer com qualidade. É preciso retomar sistemática de controle (ex. Comissões de Especialistas do MEC). Isso não é simples porque os recursos são muito limitados.

Avaliar ainda é um tópico polêmico. Das 127 universidades brasileiras, perto de 60 estão desenvolvendo programas de avaliação.

Número de cursos na área em 1994

Sistemas

9

Ciência da Computação

81

Computação

2

Informática

29

Tecnólogo

127

Total

248



Relação candidato/vaga vestibulares em 1994

Federais

16,61

Estaduais

25

Particulares

2,75


Informática é uma área muito moderna e precisa de participação ativa da comunidade para identificação das necessidades de formação de pessoal. Ainda estamos livres do cartorialismo profissional, porque não há currículo mínimo nem regulamentação da profissão. Para mudar um currículo mínimo em áreas estabilizadas e fortemente regulamentadas, pode-se levar até 20 anos!

Júlio Camerini

Na sua intervenção, Júlio Camerini fez uma longa exposição sobre a indústria brasileira de informática, mostrando seus níveis de faturamento ao longo do tempo e o perfil de empregos durante e depois da fase de reserva de mercado.

Faturamento da indústria de hardware (em bilhões de US$)

1987

4,0

1989

7,0

1991

5,5

1994

9,0



Empregos diretos na indústria de hardware

1987

60.362

1989

74.000

1991

33.000

1994

redução?



Em seguida, resumimos alguns dos pontos abordados pelo presidente da Automatica:

Daltro José Nunes

O nascimento da indústria nacional deveu-se à inconformidade do pessoal técnico da época com o mercado de trabalho. Não havia bons empregos e a idéia de trabalhar na própria profissão trouxe a criação da indústria nacional.

Há uma preocupação enorme com os estudantes que se estão formando no momento quanto ao mercado de trabalho. O que farão? Que tipo de profissional devemos formar?

Análise de sistemas é o grande mercado do momento. Como compatibilizar os currículos com a realidade atual brasileira? Como criar empregos qualificados, de alto nível, para que os profissionais efetivamente venham a exercer sua profissão?


Painel FRH - Debate (extratos)

Sociedade deve pressionar o governo para que aumente os gastos em P&D, pois ao contrário não haverá mudanças sensíveis nas políticas atuais.

O lobby contra, no congresso, é muito forte.

É preciso insistir na tática de ir à Brasília, contactar os senadores e deputados, etc, porque isso tem provocado resultados positivos.

A relação com o Ministério de C&T é boa, o que não acontece com outros ministérios.

Fala-se muito nos problemas, mas temos sido tímidos na busca de soluções.

É importante que os estudantes tenham uma vocação empreendedora, de abrir empresas, trabalhar por conta própria, etc.

Experiência com empresas juniores é muito positiva e tem mostrado resultados interessantes, pois expõe os alunos ao mercado e ao espírito empreendedor.

Será que os professores também não deveriam ser mais empreendedores. O dinheiro vem fácil demais e, assim sendo, não é necessário ser empreendedor. Não deveríamos ter um compromisso mais rígido com a qualidade de ensino e a eficiência ?

Painel IS - Interação com a Sociedade

discutindo-se como a Universidade, através da sua atividade em Informática, pode influir decisivamente na construção, aprimoramento e re-direcionamento dos processos sociais em geral e, em particular, como pode fazê-lo no plano industrial. Por outro lado, descortinando-se os mecanismos pelos quais a Universidade pode identificar e imbuir-se das demandas sociais, inclusive as de origem industrial.

Coordenadora do painel: Profa. Claudia Bauzer Medeiros, UNICAMP 1/8, Terça-feira

Painelistas: Prof. Alain Pirotte, Univ Louvain/Bélgica

Prof. Guilherme Ari Plonski, USP

Prof. Siang Wun Song, USP


A partir da análise das 15 operações sugeridas no plano 1996/2000 do Protem-CC e de discussões preliminares com os painelistas, foram levantadas as seguintes questões para serem abordadas durante o painel:

Painel IS - Intervenções dos membros da mesa

Alain Pirotte

Inicialmente foram feitas observações sobre as diferenças entre a interação indústria-centros de pesquisa na Europa e nos USA, bem como diferenças dentro da própria Europa.

Já existe atualmente uma cultura de programas europeus de pesquisa e de pesquisadores europeus.

Os programas de pesquisa financiados por organismos governamentais na Europa têm grande influência como catalisadores e são fundamentalmente cooperativos, "forçando" interação entre a indústria e a universidade.

Os mecanismos de avaliação envolvem varias pessoas (peer evaluation).

Os programas europeus de fomento a pesquisa cooperativa ajudam muito a convencer as indústrias que a melhor forma de dominar o estado da arte é a participação em pesquisa.

Na Europa, a imagem de tecnologia e ciência na sociedade é boa em geral, mas falta informação. A demanda por pessoal qualificado está aumentando, sendo que o nível de ensino secundário está caindo.

A imagem da universidade é ligada a privilégios, e a produção universitária é, às vezes, inadequada (corte de verbas, desemprego crescente).

Os programas europeus de pesquisa cooperativa têm exercido um papel significativo no ajuste de prioridades.

Uma pesquisa recente na Bélgica da percepção que os jovens têm de ciência e tecnologia aponta os seguintes fatos, dentre outros:

Coloca-se em questão como melhor preparar os jovens para avaliação social adequada do desenvolvimento tecnológico e de suas vantagens e riscos para a população.

Algumas ações possíveis mencionadas foram

Como exemplos de ações sendo desenvolvidas na Europa, foram citadas:

Ari Plonski

A universidade é parte da sociedade e portanto o painel na verdade está tratando da interação de um segmento da sociedade com o resto da sociedade

A universidade tem missões de ensino, pesquisa e extensão, mas o peso das atividades e' desigual, em grande parte porque a avaliação usa indicadores de pesquisa. Há, assim, dissonância entre a proposta de trabalho e os critérios de avaliação.

A tecnologia ocorre na empresa e não na sociedade

Nota-se a falta de experiência do pessoal acadêmico em como interagir com o setor empresarial, com pouco conhecimento de como divulgar adequadamente o seu "produto".

Do ponto de vista da sociedade, falta maior conscientização da necessidade de cooperação de empresas.

Foram também citados exemplos de ações no Brasil de cooperação entre universidades e empresas, de grande e pequeno porte.

Do ponto de vista de produtos que a universidade deve produzir para incrementar a participacao na sociedade, foram destacadas a importância de associar pesquisa e desenvolvimento e a reciclagem através de educação continuada.

Finalmente, do ponto de vista de participação da indústria, foi ressaltada a necessidade de maior interação. Destacou-se a diferença entre inovação e invenção (ou seja, como a pesquisa acadêmica pode influenciar a melhoria da qualidade dos processos industriais).

Siang Song

A importância da universidade para realizar cursos de reciclagem para profissionais e para a terceira idade é uma forma de disseminar e popularizar a informática

A educação do uso da rede deve aumentar a cultura de computação, ao mesmo tempo em que se deve alertar para os abusos e males de tal tecnologia -- o problema ético.

A pesquisa realizada na universidade deve levar em conta os benefícios para a sociedade, e a parceria industrial deve ser ligada a aplicações. Uma área pode ser considerada estratégica se atrai um parceiro industrial.

Finalmente, foi mencionado o processo de avaliação atualmente sendo realizado em diferentes universidades como forma de esclarecer a opinião publica sobre a utilização de recursos.

Claudia Bauzer Medeiros

A sociedade começa dentro da própria universidade, que deve se preocupar com o treinamento e disseminação da cultura de informática dentro do próprio ambiente universitário.

Painel FRH - Debate (extratos)

Durante a discussão, foram levantados os seguintes pontos:

O perfil e necessidades dos empresários varia de acordo com a região brasileira e portanto nem sempre a cooperação precisa envolver projetos e processos de grande magnitude

A cooperação passa pelo envolvimento dos estudantes no trabalho e assistência as empresas

A universidade não deve ser vista como mero provedor de serviços. O problema da interação é que a universidade é um mundo desestruturado para tal cooperação, faltando apoio de uma equipe estável para levar adiante projetos de maior envergadura.

O aumento da interação universidade-empresa exige mudanças na estrutura organizacional da universidade, pois requer integração de diferentes setores.

A extensão universitária não deve ser considerada como um balcão de serviços, mas sim acoplada a pesquisa

Existe resistência da cultura atual industrial para entender a importância de dar recursos a universidade para desenvolvimento de pesquisa (por exemplo, como bolsas)

Os centros de tecnologia exercem um papel importante no desenvolvimento de pesquisa de ponta

Painel IF - Infra-estrutura e Financiamento

discutindo-se modelos de arcabouços físicos (e. g., esquemas de parceria nos projetos cooperativos) e financeiros (e. g., linhas de financiamento de balcão, programas especiais de governo, Lei 8.248) para que os processos de formação de recursos humanos, pesquisa e desenvolvimento possam ser realizados a contento pela Universidade, de acordo com suas demandas e responsabilidades sociais.

Coordenador do painel: Prof. Marcos Borges, NCE/UFRJ

2/8, Quinta-feira

Painelistas: Prof. Edmundo Albuquerque de Souza Silva, NCE/UFRJ

Dr. Eratóstenes Araújo, CNPq

Dr. Joel Weisz, FINEP

Prof. Gonzalo Leon, Universidade Politécnica de Madrid, Espanha

Painel IF - Intervenção dos membros da mesa

Edmundo Souza

Discorreu sobre o modelo de grants para financiamento à pesquisa. Modelo largamente conhecido e utilizado há bastante tempo. A pergunta é: "o que falta para que seja implementado este mecanismo". Há notícias de que a FAPESP vai implementá-lo. Os motivos pelos quais a sistemática de grants é importante são vários.

Outra sistemática interessante é a de incentivar grandes projetos nacionais. O papel do governo seria o identificar tais projetos e buscar, junto à indústria, cooperação e contratação de projetos acadêmicos para atingir os objetivos.

A identificação dos projetos deve estar ligada diretamente à sociedade como um todo.

A fraca parceria universidade-indústria tem como causa principal a própria falta de tradição. Não há mecanismos de interação para a passagem de projetos de um lado para o outro.

É preciso haver uma coordenação, por parte do CNPq, para que as empresas estabeleçam negociações com a universidade, até mesmo em função do emprego dos recursos da Lei 8.248. Organizar eventos do tipo open house, e outras iniciativas do gênero, é importante para o estabelecimento da interação.

Eratóstenes de Araújo

Discorreu sobre a atuação do CNPq, que é feita através da concessão de bolsas de vários tipos, pelo financiamento de eventos, congressos e seminários, financiamento de bibliotecas, cooperação internacional. Em 95, o orçamento do CNPQ ultrapassou a cifra do bilhão de dólares, sendo que 90% desses recursos estão sendo colocados para a comunidade científica através da demanda espontânea. Tem seus méritos, mas não constitui uma política de governo.

Na área de Informática, a partir de 90, houve a intenção de mudar substancialmente o status da pesquisa no país. O primeiro passo foi o de re-equipar os laboratórios de pesquisa, o que foi feito com sucesso. Outras ações foram mencionadas, mesmo com a carência de recursos que caracterizou o início dos programas de demanda induzida.

O Prof. Eratóstenes mencionou ainda a criação de programas como a RNP e o SOFTEX, no âmbito do CNPq. Também destacou a ênfase dada nos editais do ProTeM-CC para a parceria universidade-empresa, realçando-se estratégicas nacionais e estratégicas.

A questão lançada é: "isto é suficiente para o que queremos?". Foi mencionado o documento de planejamento do ProTeM-CC, que é a busca de uma resposta para a pergunta acima. Em decorrência da missão do ProTeM, cujo principal objetivo é a capacitação tecnológica, é preciso fazer mais. Para tanto, é importante que a comunidade colabore sugerindo e criticando as operações já identificadas no planejamento.

A operação 15 do documento de planejamento do ProTeM-CC é a propor ao governo grandes projetos nacionais para que sirvam de temas básico para os programas de incentivo à pesquisa. Neste tópico, pode-se citar o caso do Projeto SIVAM, que poderia ser lembrado para uma iniciativa deste tipo, pois é um problema de interesse nacional e de grande porte.

Joel Weisz

Disputa política por recursos escassos. A arena onde se trava a disputa por recursos é a sociedade e portanto é preciso convencê-la a investir em P&D. Por que a sociedade vai aumentar o percentual do PIB dedicado à aplicação em P&D. É preciso construir uma visão estratégica do problema de desenvolvimento, de modo a poder coordenar as ações governamentais.. Grande parte dos esforços eram dedicados ao atendimento de balcão, e isto aconteceu durante muitos anos na FINEP, embora houvesse o sentimento de que era preciso ter uma estratégia mais global. É difícil atuar de uma maneira concentrada, seletiva, buscando objetivos mais definidos e que persigam uma política bem planejada.

Preocupação da FINEP em aproximar empresas e universidades. É preciso concentrar recursos onde eles são mais eficazes, onde haja excelência.

O programa de processamento de alto desempenho, SINAPAD, aplicado à previsão meteorológica, foi citado como um exemplo de atuação da FINEP onde os resultados podem beneficiar a sociedade diretamente. Outros programas foram citados, como o Programa de Ação Estratégica em Software. O programa PROINFO busca financiar software brasileiro para aquisição do mesmo por universidades brasileiras.

Gonzalo Leon

Apresentou o modelo de financiamento utilizado pela Escola Politécnica de Madrid, no seu departamento de Engenharia Telemática. Embora seja uma escola pública, não há financiamento público total para as atividades de pesquisa e desenvolvimento. Apenas os salários, os prédios são financiados pelo governo.

Painel CI - Cooperação Internacional

A presença de diversos professores e pesquisadores de outros países, especialmente da América Latina, deu uma conotação especial ao Painel sobre Cooperação Internacional. Originalmente, o propósito do painel era discutir a questão de cooperação internacional ao largo, conforme os objetivos traçados no planejamento do XXV SECOMU, que sugeria direcionar o painel

analisando-se num amplo espectro a política de alianças científicas e tecnológicas internacionais, visando ao estabelecimento de meios de cooperação e à identificação de suas necessidades políticas, físicas e financeiras, de forma a possibilitar a interação cada vez maior entre projetos e instituições e buscando entre outros resultados a consolidação do processo brasileiro de formação pós-graduada em computação e o compartilhamento de tais resultados com a América Latina.

Além dos objetivos previamente estabelecidos, buscou-se identificar formar de incrementar a interação entre grupos de P&D no nível internacional, novamente focalizando a América Latina, e definir ações concretas que pudessem levar à integração mais efetiva dos setores acadêmico/industrial/empresarial nos esforços de cooperação internacional.

Coordenador do painel: Prof. Leo Pini Magalhães, UNICAMP

(leopini@dca.fee.unicamp.br)

3/8, Sexta-feira, Sala México do Hotel Laje de Pedra

Painelistas: Dr. Eratóstenes Araújo, CNPq (era@cnpq.br)

Dra. Renate Stille, MRE (renate@dct.mre.br)

Prof. Ricardo Baeza Yates, Chile (rbaeza@dcc.uchile.cl)

Profa. Rosa Viccari, UFRGS (rosa@inf.ufrgs.br)

  • Prof. Edgardo Broner, CLEI (ebroner@usb.ve)
  • Painel CI - Intervenção dos membros da mesa

    Eratostenes Ramalho de Araújo

    O ProTeM teve início na academia, está atualmente na academia, mas deve ser mais do que isto. Deve abranger outros setores da sociedade, o industrial , por exemplo, de tal forma a que passe a ser considerado, ou seja efetivamente, um Programa de Governo no contexto de uma Política Nacional de Informática, que inclua preocupações com a solução de problemas nacionais nas áreas de saúde, educação e formação de RH qualificados e capazes de dar à indústria brasileira um nível de competitividade internacional, pelo menos em alguns setores.

    Isto posto, a questão da Cooperação Internacional em C&T, pelo menos em Informática, deve ser repensada frente aos desafios atuais. Até então ela tem sido desenvolvida através de um esquema limitado (tendo em vista os objetivos maiores que uma nação deve ter) person-to-person, cujas atividades, sem questionamento do mérito científico, não vão além dos interesses específicos dos pesquisadores envolvidos.

    Este modelo, person-to-person, deve ser modificado de tal forma que a cooperação possa ser ampliada e, mais do que isto, se faça em estreito relacionamento/harmonia com uma política mais abrangente existente no país. Espera-se que o ProTeM possa contribuir, através dos resultados de seu planejamento, propiciando, em parte, diretrizes para esta política.

    Um esquema de operação mais imediato inclui a substituição do modelo person-to-person pelo modelo project-to-project, que esteja sintonizado com os pontos aventados anteriormente.

    Rosa Maria Viccari

    O ProTeM-CC está propondo o estabelecimento de ações visando ao incentivo das atividades de Cooperação Internacional, direcionando-as para os Projetos de Pesquisa e Desenvolvimento apoiados pelo ProTeM-CC, bem como para a formação de RH no nível de pós-graduação.

    O programa ProTeM-CC foi concebido em fins de 1990 e encontra-se atualmente em sua segunda fase. Nesta fase, o programa conta com 21 projetos em carteira, num valor total de financiamento de US$7,7 milhões, contando com recursos orçamentários do CNPq e do PNUD. O programa envolve 29 universidades brasileiras, 2 estrangeiras, 4 centros de pesquisa e 12 empresas.

    As ações de cooperação internacional que serão priorizadas durante o biênio 95-96, estarão voltadas para os seguintes aspectos :

    Já se encontram ações concretas em andamento no âmbito das cooperações com a Alemanha, MercoSul/América Latina, Portugal, França, Estados Unidos da América, Inglaterra. O ProTem definiu "campeões", pessoas para coordenar os esforços de intercâmbio, de forma a melhor acompanhar as ações destas cooperações.

    Mais informações podem ser encontradas no folheto Cooperação Internacional ProTeM-CC, ou através de e-mail (rosa@cnpq.br) ou www (http://www-cite.cnpq.br/).

    Renate Stille

    DCT participa de negociações, busca novas oportunidades, facilita a vinda e ida de pesquisadores (vistos) e a importação de equipamentos, participa da administração e seleção de vários programas de concessão de bolsas de estudos (para brasileiros e estrangeiros) - em estreita colaboração com o MCT, o CNPq e outros orgãos, conforme a área de cooperação.

    Estrutura jurídica da cooperação - 3 níveis:

    Cooperação científica e tecnológica - parceria - desenvolver algo novo, de interesse comum - todos os participantes contribuem com pesquisas, a partir de tecnologias que já dominam, instalações e financiamento - idealmente já têm em mente a aplicação prática, pelo setor produtivo, do resultado das pesquisas

    Cooperação técnica (assistencial) em que se transferem conhecimentos e recursos de um parceiro mais desenvolvido para outro que ainda não domina essas técnicas ou tecnologias. Às vezes, além do financiamento também inclui a doação de equipamentos. Essa unilateralidade dá margem à imposição de condicionantes, que um país do nível do nosso já não deseja aceitar.

    Isso infelizmente também acontece com o PNUD - mesmo com a execução nacional e os custos compartidos - que na prática correspondem ao financiamento de 95% por recursos nacionais - os projetos de um certo vulto devem ser aprovados pela sede em Nova York, onde imperam as condicionantes impostas pelos doadores (que, há muito, só doam para a África).

    Esperamos em breve poder contar com uma alternativa latino-americana para a administração de projetos. Em abril do corrente ano foi finalmente instituída a Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (RITLA), organismo do qual são membros Brasil, Argentina, México, Nicarágua e Venezuela e ao qual devem aderir proximamente outros seis países da América Latina e do Caribe.

    A RITLA, idealizada no final da década dos setenta, como rede física de intercâmbio de informações entre os países do continente, não pôde concretizar seus objetivos durante a década seguinte, porque eram ambiciosos demais para as possibilidades e necessidades dos países naquele período. Enquanto não se criava o organismo, os países foram estabelecendo suas próprias redes eletrônicas.

    Assim, no final de 1994, quando se examinou a conveniência de implementar definitivamente a RITLA ou de desistir da iniciativa, os países concluíram que seria necessário dar outro enfoque ao organismo. Aprovaram-se três funções: orientação quanto à obtenção de informações tecnológicas, fórum de debates e identificação de interesses comuns latino-americanos e órgão administrador de projetos, confirmadas no documento final da Primeira Reunião Ordinária do Organismo em abril de 1995 em Caracas.

    Essas são pinceladas rápidas que eu queria dar quanto às oportunidades de cooperação, com ênfase na América Latina. Mas evidentemente o DCT do MRE atua em contato com todos os países onde se vislumbram possibilidades de cooperação - tanto negociando com os setores de C&T das Embaixadas em Brasília e recebendo autoridades estrangeiras e de organismos internacionais que vêm ao Brasil, como através dos setores de C&T das Embaixadas brasileiras ou enviando missões negociadoras ao exterior.

    No campo da informática, destaca-se no plano bilateral a cooperação com a Argentina, a Alemanha e a França. Mencionarei apenas dois projetos em curso com a França, que apresentam excelentes resultados, porque ilustram o que foi dito antes sobre a interação pesquisa/setor produtivo. São projetos desenvolvidos ao amparo do programa pesquisa e industria (PRI - recherche et industrie), que devem contar obrigatoriamente com pelo menos dois participantes de cada parte - um órgão de pesquisa e um do setor produtivo, interessado em aplicar o resultado da pesquisa.

    Os projetos que se destacam nesse programa, na área da informática, são os de Inteligência Artificial - desenvolvido pelo IPT, Escola Paulista de Medicina, ABC Bull S.A, no Brasil, e pela Universite de Dijon e Bull S.A., na França - e o de Automação Industrial - pela UNICAMP E PETROBRAS, no Brasil, e pela Universitè de Nice e SIMULOG, na França. Ambos devem estar concluídos até o final deste ano. Está se iniciando, em 1995, mais um, neste setor, que é o AIGLE - Ambiente Integrado de Engenharia de Software Evolutivo - desenvolvido pelo CITS-Curitiba, CPqD-TELEBRAS e ABC Bull S.A. e pelo CRID-Universitè de Bourgogne, CRISS-Universitè Pierre Mendès-France, TRANSTAR-Bull, THOMPSON e SYSECA.

    Diante do prestígio crescente do programa, que também desenvolve projetos em outros campos, durante a última reunião da Comissão Mista Brasil-França decidiu-se permitir que projetos com características PPI, que não necessitem de aportes financeiros governamentais, possam candidatar-se a receber o "selo" do Programa. Foi também decidida a realização de um evento destinado a analisar o funcionamento do Programa e as possibilidades para seu aperfeiçoamento. Esse evento levará em conta a função catalisadora dos Governos e a necessidade de incentivar as empresas a assumirem a liderança na parceria pesquisa-industria. Especial atenção também deverá ser atribuída aos aspectos "pós-PPI" (Projeto Pesquisa/Indústria) dos projetos.

    Edgardo Broner

    CLEI - Centro Latinoamericano de Estudos em Informática - agrupa 70 universidades, institutos de pesquisa e associações profissionais da América Latina. Desde 1974 organiza anualmente a Conferencia Latino Americana de Informática, onde se encontram pesquisadores dos países da região. A conversa informal, o encontro de professores com áreas de interesse comum tem sido a base de projetos internacionais. A Rede Ibero-americana de Tecnologia de Software, RITOS, se organizou em uma conferencia CLEI, SISCO, o grupo de interesse em Sistemas Colaborativos, também. Da mesma forma, muitos outros, inclusive alguns desconhecidos, também se formaram, sempre tendo a reunião anual sido a fagulha para cada início.

    Muitas vezes se firmam convênios entre governos ou instituições, mas as informações não chegam aos pesquisadores. Os professores latino-americanos têm dúvidas, desconhecendo como obter financiamento para suas idéias. CLEI tenta canalizar estas solicitações, sendo um centro de informações para satisfazer ambas necessidades, divulgando iniciativas governamentais e auxiliando os pesquisadores. Hoje, com a existência das redes eletrônicas, resulta muito mais fácil a circulação das informações, embora muitas vezes a divulgação de fontes de financiamento seja informação confidencial disponível somente para grupos privilegiados.

    CLEI organizou cursos de informação, apoia eventos na região e deseja integrar-se a iniciativa de organização da Escola Latino-Americana de Informática, segundo a proposta do Prof. Carlos Heuser. Os representantes CLEI de cada país, a rede de instituições latino-americanas que o compõem, podem ser a base para o êxito desta Escola.

    "Cooperação Internacional" é um conceito que esteve ligado aos vais-e-vens geopolíticos. Para CLEI, tem sido uma bandeira desde há 21 anos, sempre com o objetivo de beneficiar a difusão e investigação da Informática na América Latina.

    Com relação à Venezuela, nos anos 70 a situação petrolífera permitiu ao país a entrada de grandes volumes de tecnologia. Os bancos, a indústria petrolífera, dispunham de equipamentos modernos. O material humano era insuficiente. A Universidade Central da Venezuela criou o primeiro curso de Licenciatura em Computação do país e a Universidade Simon Bolivar, criada em 1969, começou a formar engenheiros em Computação. O plano de bolsas da Fundação Gran Mariscal de Ayacucho permitiu a muitos venezuelanos estudar no exterior (graduação e pós-graduação). Nem todos regressaram ao país, no entanto os que o fizeram, mantiveram seus contactos com as Universidades onde estudaram, um dos aspectos importantes da cooperação internacional. A incorporação destes profissionais permitiu alcançar um importante nível a suas instituições.

    Com a França, há Programas de Intercâmbio, que possibilitam a presença de professores franceses na Venezuela e a estudantes venezuelanos completar suas pós-graduações. Há programas na área de Engenharia de Software. Os projetos BID-Conicit permitiram apoiar o desenvolvimento de laboratórios.

    Foram apresentados projetos Alfa com a CEE, recentemente.

    Há também pequenos projetos internacionais com empresas como a GTE, a Petróleo da Venezuela apoia desenvolvimentos na Universidade, tendo também um Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento - INTEVEP.

    Muitos convênios com Universidades Latino-Americanas são desconhecidos e não são usados. Há alguns intercâmbios envolvendo estudantes e professores.

    A Venezuela, nos últimos 5 anos, tem estado em segundo lugar com relação a trabalhos apresentados nas Conferências CLEI e em primeiro considerando-se a relação trabalho/habitante.

    Ricardo Baeza-Yates

    Os pontos abordados durante sua participação ao início do Painel foram os seguintes :

  • CYTED-RITOS
  • Fundação Andes (Chile) - Antorcha (Argentina) - Vitae (Brasil), realçando-se o papel da Fundação Andes

    Projeto Observatório: pouquíssima participação Chilena, sendo o Chile desconsiderado como partner científico válido. Nos projetos de cooperação internacional deve haver necessariamente o compartilhamento das tarefas, de modo a que os dois ou mais parceiros participem efetivamente da busca de soluções e alternativas.











    Léo Pini Magalhães

    Encerramento da intervenção inicial da mesa, focalizando brevemente dois pontos :

    1. no âmbito L. Americano - cooperação Brasil - Argentina: PABI/EBAI
    2. interação com a indústria

    1. PABI/EBAI

    Nossa posição é de aperfeiçoar esta experiência para aplicá-la a um Programa de Cooperação a nível de América Latina, envolvendo dois aspectos :

    Pesquisa:

    por exemplo, através do ProTeM com a participação de pesquisadores e grupos de pesquisa da A. Latina nos projetos incentivo à troca de pesquisadores em contextos específicos, como por exemplo, em cursos a nível de pós-graduação

    Recursos Humanos

    utilizando o modelo atual e a experiência da EBAI, na criação de uma Escola de Informática Latino Americana. Para o êxito disto é importante a participação de organismos como CLEI, ProTeM, CNPq e congêneres de outros países.

    No nível mais geral de cooperação internacional, as iniciativas apresentadas pela Profa. Rosa Viccari parecem-nos apontar o caminho correto.

    2. INTERAÇÃO COM A INDÚSTRIA

    Parceiros internacionais têm cobrado este aspecto do Brasil: cooperação industrial é fortemente desejado. Na opinião do Prof. Leo, este é um ponto a ser perseguido. Outras iniciativas já sinalizam a componente industrial como fator vantajoso

    Nossa posição é de que apesar das inúmeras dificuldades desta inserção do setor produtivo nas cooperações em projetos bi/multi-laterais (e nas nacionais também), esta componente é por muitas facetas (estratégica, comercial, de investimentos) imprescindível. Como fazer, ou como, começar a fazer no contexto atual, é uma das respostas que esperamos obter deste Painel e do GT de amanhã.

    É preciso estar atento à forma de participação das indústrias: que indústria deve participar, buscando-se fazer com que a participação industrial seja bi-lateral. Também, é preciso respeitar particularidades e aptidões específicas.

    Após esta intervenção, o Prof. Leo convocou os coordenadores do ProTeM para cooperação específica, buscando também fazê-los conhecidos dos presentes.

    Prof. José Mauro Volkmer de Castilho: discorreu sobre a Cooperação Brasil-Alemanha, que funciona desde 1986 e agora está iniciando um novo processo de avaliação e escolha de projetos. Inicialmente, este processo foi tipo pessoa-pessoa, onde os recursos do acordo financiavam basicamente passagens de forma a possibilitar os encontros dos pesquisadores.

    Áreas: tecnologia de bancos de dados, processamento de imagens e computação gráfica, automação industrial, técnicas formais. Há 16 projetos que, além do aspecto tecnológico, devem constituir aplicações de impacto social relevante.

    Prof. José Luiz Ribeiro Filho: discorreu muito brevemente sobre a Cooperação Brasil-Inglaterra, que se encontra em fase incipiente e se encontra atualmente à espera de uma melhor definição dos mecanismos de cooperação por parte da Inglaterra.

    Prof. José de Queiroz: discorreu sobre a Cooperação Brasil-França e os seus mecanismos de apoio. Há duas áreas de atuação, basicamente: INRIA E CNRS. O ProTeM está fechando acordo com o INRIA, que se tem mostrado interessado em cooperar com o Brasil. Este interesse surgiu do número de alunos brasileiros que por lá passaram. Busca-se tornar a cooperação pessoa-pessoa em colaboração projeto-projeto. A título de informação, o INRIA participa com cerca de 30% da capacidade de pesquisa tecnológica na França (perto de 1000 cientistas, entre staff e colaboradores).


    Painel CI - Debate (extratos)

    Após as intervenções dos membros da mesa, a plateia participou do debate, trazendo para a mesa suas preocupações e observações. Dentre os assuntos ventilados, destacam-se os seguintes pontos:

  • R: Cooperação internacional é uma atividade do CNPq, independentemente do ProTeM. Além disso, pode-se mencionar as chamadas Brasil-Portugal, Brasil-Argentina e o próprio edital do ProTeM, que contempla C.I. Quanto ao aspecto de orçamento, é difícil estabelecer uma divisão a priori, uma vez que as atividade estão muitas vezes entranhadas entre si e confundem-se na sua natureza.
  • R: Estas perguntas foram recebidas como muito pertinentes e importantes, embora ainda não se tenha uma idéia definitiva de como fazer para respondê-las. Há passos iniciais, como utilizar mecanismos de avaliação por formação de recursos humanos, livros, publicações. Também há uma linha mais subjetiva de medir a cooperação através da "satisfação pessoal", isto é, do feeling de se faz uma coisa útil, do que se aprende, dos problemas resolvidos. Outros fatores também foram citados, como aumento do número de parcerias.

    R: A idéia central dos argumentos foi de que a falta de comunicação pode ser resolvida através de campanhas de divulgação, Todos os meios devem ser empregados, desde o contato individual até a abordagem institucional via CNPq, ou órgãos de mais alto nível, com iniciativas dos mais variados calibres. Uma sugestão que partiu da plateia neste sentido foi a criação explícita de um programa de marketing para tal fim, nos moldes do que houve com a divulgação de técnicas de gerência cooperativa de projetos. Notou-se também que este problema não fica restrito à esfera de Informática: há pouca tradição no Brasil neste aspecto. Talvez apenas com o surgimento de níveis de competitividade mais elevados seja possível obter maior interesse das empresas pela atividade acadêmica de pesquisa e desenvolvimento.

    R: Muito pouco ou nenhum, segundo os membros da mesa falando de Venezuela e Chile. No Chile há uma agência de Cooperação Internacional, embora seus procedimentos e atuação sejam muito mal divulgados, impedindo o desenvolvimento de políticas de maior alcance.

    R: É absolutamente importante que se tenha clareza do que se quer. O Brasil tem de listar seus problemas, que certamente serão diferentes dos problemas dos outros países com os quais temos programas de cooperação e buscar, dentro das possibilidades, atender às sua necessidades básicas. Apenas desejar aplicação social é pouco: é preciso identificá-las. Para tanto, é preciso a participação da sociedade como um todo, especialmente no setor industrial e governamental, que depois deve implementar o planejado.

    R: Cooperação é um processo de ajuda na busca de soluções para problemas comuns ou semelhantes. As condições são difíceis. O processo não é altruísta, pois todos os parceiros devem ser beneficiados. Direitos de propriedade e legislação dificultam muito as coisas. As trocas de informações são delicadas.





    Parte III

    CONCLUSÕES DOS GRUPOS DE TRABALHO

    As páginas a seguir apresentam as conclusões dos grupos de trabalho, que estiveram reunidos em sessões diferentes sempre no dia seguinte ao da realização do painel correspondente.

    Buscou-se aqui exprimir a essência do que foi discutido e concluído e dos argumentos apresentados. Isto, além da dificuldade natural num trabalho dessa natureza, teve o complicador de que muitas das idéias eram conflitantes e nem sempre os grupos obtiveram consenso sobre as opiniões externadas.

    Entretanto, é importante ressaltar que algumas premissas puderam ser observadas na formação de quase todos os pontos-de-vista, a saber:

    As conclusões abaixo devem ser lidas neste contexto.

    Painel FRH - Formação de Recursos Humanos

    Para atingir os objetivos de melhoria da qualidade e da quantidade dos egressos formados o Grupo de Trabalho ressalta que

    Painel IS - Interação com a Sociedade

    A discussão do grupo de trabalho de Interação com a Sociedade envolveu 15 pessoas do CNPq e instituições de Ensino & Pesquisa, nem todas na carreira de computação.

    Foram desenvolvidas discussões ao longo de 3 das operações sugeridas pelo ProTeM-CC/CNPq para potencializar a interação com a sociedade.

    Do ponto de vista do ProTeM-CC, o principal desafio é implementar tal interação através de mecanismos que fomentem a interação universidade-empresa para o desenvolvimento de produtos acessíveis e que dêem condições de melhoria de vida à sociedade.

    Os principais pontos levantados foram:

  • As universidades têm necessidades de mecanismos para manutenção de equipe e infra-estrutura para sustentar essa cooperação de forma produtiva.
  • Ações:

    PAINEL IF - Infra-estrutura e Financiamento

    O grupo de trabalho IF, Infra-estrutura e Financiamento, reunido em sessão na manhã de 3 de Agosto de 1995, chegou às seguintes recomendações:

    Painel CI - Cooperação Internacional

    Os resultados do trabalho do grupo são aqui apresentados na forma de preocupações e sugestões de possíveis ações/recomendações. Essas preocupações não foram obtidas por consenso, embora tenham sido razoavelmente aceitas pelo grupo como um todo. Também as recomendações não soluções únicas nem tampouco universalmente aceitas. São sugestões que foram acolhidas favoravelmente e portanto, listadas neste documento final.

    Acão:

    Sugestões/comentários adicionais:

    Ação:

    Ação

    Sugestões/comentários adicionais:

    Ação

    Sugestões/comentários adicionais:

    Ação

    Ação

    Criar banco de dados com informações sobre C.I.: projetos, acordos, prazos, etc.

    Sugestões/comentários adicionais:

    Ação

    Reforçar os elos com a Espanha

    Sugestões/comentários adicionais:

    Ação

    Iniciar discussões e estudos junto a quem de direito para encaminhamento de soluções

    Sugestões/comentários adicionais:

    Ação

    Parte IV

    PARTICIPANTES

    Lista de Participantes do Grupo de Trabalho

    Formação de Recursos Humanos

    Nome Instituição Endereço / E-mail
    Iára Pereira Cláudio

    Carlos B. Sica de Toledo

    Itana M. S. Gimenes

    Renato de Sousa Cabral

    Silvio Cesar de Souza

    Douglas Hamilton de Oliveira

    Nilda Maria T. da Cerqueira

    Luiza de Sá Moreira

    Gentil Lucena

    Claudio Marinho

    Tales Luiz Popiolek

    Rodolfo Barros

    Vânia Maria Ponte Vidal

    David Araújo Cipriano

    Leonardo Miranda Bastos

    Célio Estevan Moron

    Miguel Jonathan

    Márcia Regina Diehl

    Pedro Manoel da Silveira

    Fernando de Carvalho Gomes

    Carlos Cordeiro de Melo Neto

    PUCRS

    UEM

    UEM

    UNIPEC/RN

    UFPR

    FATEC/Americana

    UFRN

    CNPq

    CNPq

    ProTeM-CC

    FURG

    UEL

    UFC-LIA

    UFRJ

    UFRJ

    UFSCar/SP

    UFRJ

    UNISINOS/RS

    NCE/UFRJ

    UECE-LIA

    ProTeM-CC

    iara@music.pucrs.br

    cbstoled@brfuem.bitnet

    imsgimen@brfuem.bitnet

    silvio@inf.ufpr.br

    nilda@dimap.ufrn.br

    luiza@cnpq.br

    gentil@cnpq.br

    cmarinho@pcr.emprel.gov.br

    ccengcom@brfurg.bitnet

    angelica@brfuel.bitnet

    vvidal@lia.ufc.br

    dac@lci.ufrj.br

    miranda@lci.ufrj.br

    dcem@power.ufscar.br

    jonathan@nce.ufrj.br

    diehl@via-rs.com.br

    pedrom@nce.ufrj.br

    carvalho@lia.ufc.br

    ccmn@di.ufpe.br

    Lista de Participantes do Grupo de TrabalhoInteração com a Sociedade

    Nome Instituição Endereço / E-mail
    Antar Sangit

    Iára Pereira Cláudio

    Gentil Lucena

    Cláudia Bauzer Medeiros

    Siang Wun Song

    Luciene Medeiros

    Alain Pirotte

    Claudio Marinho

    Pedro Manoel da Silveira

    Eratóstenes R. Araújo

    Routo Terada

    Claudio Violato

    Hypólito J. Kalinowski

    Marcelo Alves de Barros

    Nizam Omar

    Fernando de Carvalho Gomes

    Carlos Cordeiro de Melo Neto

    CNPq

    PUCRS

    CNPq

    UNICAMP

    USP

    UFPA

    Univ. Louvain-Bélgica

    ProTeM-CC

    NCE/UFRJ

    CNPq

    DCC/USP

    TELEBRÁS-CPqD

    CEFET-PR

    DSC/UFPB

    IEC-ITA

    UECE-LIA

    ProTeM-CC

    sangit@cnpq.br

    iara@music.pucrs.br

    gentil@cnpq.br

    cmbm@dcc.unicamp.br

    song@ime.usp.br

    Pariquis, 3145/702

    Cremação

    66040-320 - Belém - PA

    pirotte@info.ucl.ac.be

    cmarinho@pcr.emprel.gov.br

    pedrom@nce.ufrj.br

    era@cnpq.br

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    Lista de Participantes do Grupo de TrabalhoInfra-estrutura e Financiamento

    Nome Instituição Endereço / E-mail
    Antar Sangit

    Sérgio Prado

    Maria Graça Pimentel

    Gonzalo Leon

    Gentil Lucena

    Claudio Marinho

    José Augusto Suruagy Monteiro

    José Luiz Ribeiro Filho

    David Rosenthal

    Cesar Teixeira

    Marcos Borges

    Egídio DallíAgnol

    Edmundo de Souza e Silva

    Rosa Viccari

    Pedro Manoel da Silveira

    Eratóstenes R. Araújo

    Routo Terada

    Maria Elenita M. Nascimento

    Claudio Violato

    Carlos Cordeiro de Melo Neto

    CNPq

    Assoc. VerdeVer/SP

    Comp. USP/São Carlos

    UPM - Espanha

    CNPq

    ProTeM-CC

    DI/UFPE

    NCE/UFRJ

    Economia/UFPE

    DC/UFSCar

    UFRJ

    ASSESPRO/Softsul

    UFRJ

    UFRGS

    NCE/UFRJ

    CNPq

    DCC/USP

    UnB/CIC

    TELEBRÁS-CPqD

    ProTeM-CC

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    ccmn@di.ufpe.br

    Lista de Participantes do Grupo de Trabalho
    Cooperação Internacional
    Nome Instituição Endereço / E-mail
    Antar Sangit

    Sérgio Prado

    Maria da Graça Pimentel

    Gentil Lucena

    Claudio Marinho

    Rafael Dueire Lins

    Edmundo de Souza e Silva

    Rosa Viccari

    Maria Elenita M. Nascimento

    Mauricio Ayala Rincon

    Alexandre Moretto Ribeiro

    José Luiz Ribeiro Filho

    Edilson Ferneda

    Francisco José Negreiros Gomes

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    Ricardo Pezzual Jacobi

    José Queiroz

    Pierre Deransart

    Dalcídio Claudio

    Claudia Bauzer Medeiros

    Cirano Iochpe

    Maria E. Urquhart

    Carlos Eduardo Pereira

    José Mauro V. de Castilho

    Ausberto Castro Vera

    Celso Deusdeti Costa

    Frank Dehne

    Carlos I. Z. Mammana

    CNPq

    Assoc. VerdeVer/SP

    USP/São Carlos

    CNPq

    ProTeM-CC

    DI/UFPE

    UFRJ

    UFRGS

    UnB/CIC

    UnB

    UCS

    UFRJ

    UFPB

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    MRE

    UFRGS

    UFPE

    INRIA

    UFRGS

    UNICAMP

    UFRGS

    FI/Uruguay

    UFRGS

    II/UFRGS

    UNT/UFRGS

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