Subject: De Angela Gomes: Planejar para que e como? - completando
Date: Tue, 23 Jul 1996 14:07:16 -0300

Planejar para que e como?

Completando a contribuicao anterior encaminhada ao SECOMU, relativa aos documentos citados no primeiro parágrafo, logo abaixo.:

Uma nova leitura no documento da prof. Claudia Bauzer e do documento, de alguma forma reescrito, sobre Universidade ("A Universidade, aberta") trouxe novos sinais de um desafio para pensar/projetar o futuro e orientar as acoes presentes neste sentido se implantando no ambiente da CC (Computacao ). Este desafio de pensar-e-agir abrange, coerentemente, a situacao ou os jogos mais amplos nos quais a CC se insere - a Universidade, a C&T em geral.

O documento "A Universidade, Aberta" fala de choque de realidade, relevancia e qualidade. Significa analisar e operar profundamente problemas, oportunidades, alternativas e solucoes. A ampliacao e reestruturacao do universo de atores hoje responsaveis pelas definicoes em torno da universidade parece imperativo para o exito deste pensar-e-agir. A conducao estrategica, para agregar aliados, enfrentar obstaculos estruturais e zonas conflituosas tambem condicionara qualquer processo deste tipo.

O documento P&D na Computacao aponta, com dados e comparacoes bastante elucidativos, a articulacao de esforcos e orientacao das acoes como elemento chave para o pleno desenvolvimento da area. O planejamento, em todos os niveis e a participacao dos atores com interesse envolvidos nas definicoes sao pecas para o exito das politicas e projetos, consequencia e relevancia dos seus resultados.

Repito, pois a argumentacao segundo a qual o que discutimos aqui e planejamento:

O planejamento precedendo e presidindo a acao confere direcionalidade, organiza o enfrentamento de problemas, possibilita o aproveitamento de oportunidades, prioriza a aplicacao de recursos escassos. Para um ator - coletivo ou individual - planejar e sinonomo de conduzir conscientemente. A alternativa e a submissao as circunstancias da situacao que o cerca nas decisoes criticas, e o reino do improviso nas acoes cotidianas.

E preciso dizer que definir e viabilizar politicas, analisar cenarios, articular interesses dependem para seu exito de tecnologia. A area de conhecimento - com decidida vocacao aplicada - denominada ciencias e tecnicas de governo conheceu significativos avancos nas ultimas decadas. Os dirigentes - e nao apenas de ciencia e tecnologia - tem sofrido, neste caso, da sindrome da ignorancia ao quadrado: nao sabem e nao sabem que nao sabem. Cuidam que somente com ideias podem exercer governo. Desconhecem ferramentas modernas de planejamento e gestao capazes de lidar com situacoes complexas. Tentam implementar, muitas vezes, projetos diferenciados utilizando os mesmos metodos tradicionais.

A capacidade de analisar, propor e implementar acoes, de governar estrategicamente, pode ser desenvolvida. E, mais ainda, aqueles que decidem, implementam e executam as acoes e que devem ser capacitados. Planejamento nao e, pois, atividade tecnica a ser exercida em gabinetes ou instancias especificas, mas ferramenta de governo a ser apropriada e utilizada por quem governa - em qualquer nivel de poder.

Finalmente cabe mencionar duas referencias bibliograficas cujo estudo pode auxiliar:

Angela Gomes ProTeM-PG/Escola de Governo da Unicamp